8 maneiras de usar a tecnologia para melhorar as aulas

By 16/09/2014Dicas

Utilizar tecnologia na sala de aula pode ser um desafio, principalmente por ser um espaço com alunos totalmente distintos entre si. Paralelo a isso, os professores contam com uma indústria milionária oferecendo aplicativos e ferramentas de tecnologia que prometem mudar a sala de aula.

A verdade é que não existe um aplicativo para mudar a forma de ensinar. Mas, há formas bem interessantes de incorporar a tecnologia na sala de aula.

De acordo com o pesquisador Howard Gardner, responsável pela teoria das múltiplas inteligências, pais e professores devem procurar aplicativos que ajudem as crianças a desenvolver seu próprio senso crítico. Para isso, é preciso saber quem criou a tecnologia, com que finalidade, se ela é flexível e, em até que ponto os dados produzidos serão usados.

Estabelecendo metas educacionais como ponto de partida, professores podem ajudar os alunos a usar tecnologia na aprendizagem. Preparamos oito dicas baseadas em pesquisas e apoiadas pelo bom senso e saber fazer docente:

1 – Mantenha seus objetivos pedagógicos à frente da tecnologia

No começo e no final de cada dia na escola, pergunte-se: qual é o objetivo pedagógico da minha aula? A nova forma de educação permite múltiplas plataformas e valoriza a do conteúdo, quer se trate de música, arte ou matemática. Segundo Punya Mishra, professor de Psicologia da Educação e Tecnologia Educativa da Universidade Estadual de Michigan, “os bons professores são mais do que apenas especialistas; eles são especialistas em ensinar o conteúdo. Pedagogia e conteúdo não podem ser considerados independentemente um do outro; o mesmo vale para a tecnologia e conteúdo.”.

2 – Escolha aplicativos flexíveis

Deixe os alunos surpreendê-lo e a si mesmos. Katie Davis, professora assistente na Universidade de Washington e co-autora do livro The App Generation, com Howard Gardner, sugere o uso de tecnologia como ponto de partida, uma forma de introduzir novas experiências e modos de expressões. Optar por tecnologias flexíveis que permitem aos estudantes fazerem uso de seus próprios conhecimentos e julgamentos é importante. “Os estudantes podem se perguntar ‘O que eu acho sobre isso? Qual direção eu devo seguir? As experiências devem ser abertas e, se possível, não restritas”, diz Davis. Em outras palavras, fuja de templates e aplicativos excessivamente prontos. Deixe as crianças se sentirem confortáveis com as confusões da aprendizagem e da vida.

3 – Não deixe a tecnologia tornar o aprendizado fácil

Use a tecnologia para tirar os alunos de sua zona de conforto. Em vez disso, desafie-os – traga situações que não podem ser resolvidas em poucos cliques. Procure tecnologias de aprendizagem que identifiquem e empurrem os alunos a lidar com suas lacunas cognitivas, aquele espaço entre o que eles já sabem e o que ainda não sabem. Mantenha a aprendizagem desafiadora, mas não impossível. Busque tencologias que questionam para fomentar a curiosidade e a alegria do descobrimento.

4 – Análise os resultados seriamente e peça feedbacks.

Evite softwares educacionais que ofereçam apenas respostas “corretas”ou “erradas”. Segundo Neil Heffernam, professor do Departamento de Ciência da Computação do Instituto Politécnico de Worcester e criador do sistema de ensino ASSISTments, é importante ajudar crianças a avaliarem seu progresso ao longo do tempo. Mais de 100 mil crianças nos Estados Unidos utilizam o sistema e Hefernan destaca como o comportamento na sala de aula muda baseado na tecnologia. “Nós participamos de uma discussão com toda a turma sobre um erro que 51% da sala cometeu. Então, perguntamos: Qual é o erro conceitual comum para a resposta errada? O próximo passo dos estudantes é escrever um comentário na questão dizendo seu erro. Assim, todas as crianças que acessarem esta questão amanhã terão o comentário do colega como um benefício para evitar o erro”, explica Hefernan.

5 – Desconfie da aprendizagem individualizada – por enquanto

Pesquisas sobre o aprendizado individualizados na esfera digital ainda estão em fases preliminares. Para Sidney D’Mello, professor de Psicologia e Ciência da Computaçao da Universidade de Notre Dame, o futuro é promissor. Ele desenvolveu um software que detecta as expressões faciais e as reações de acordo com a confusão, tédio ou desengajamento do aluno. Mas, para essas tecnologias funcionarem individualmente, a cultura da sala de aula precisa mudar. “É necessário estabelecer uma cultura que valoriza a falha e em que a confusão não signifique que você é estúpido”, explica Sidney.

6 - Traga os interesses dos alunos para a sala de aula

Mimi Ito, professora e antropóloga cultural do uso da tecnologia no Instituto de Pesquisas Humanas da Universidade da Califórnia, muitas vezes, vê que os professores tentam enxertar algumas das expressões de mídias sociais Facebook, Instagram e Twitter. “As crianças são resistentes a ter seu espaço de lazer colonizado por adultos. Conectar-se com as práticas direcionadas às crianças por sites de tecnologia educacional pode ser mais eficiente.”

Professores podem ajudar os alunos a identificar suas paixões. Quando há identificação com a atividade, os alunos ficam abertos a novas conexões. “Para os estudantes, pesquisar muito e ficar melhor em algo que seus amigos não é o suficiente para manter a atenção na escola. Quando um adulto – professor, mentor ou os pais – compartilha o interesse e demonstra que aquela atividade é relevante no mundo ou na escola é, de fato, uma transformação profunda.”, explica Ito.

7 - Busque experiências

Procure tecnologias que favoreçam as interações sociais. “Quais são os diálogos abertos por essa tecnologia?”, pergunta Loro Takeuchi, diretora e pesquisadora no Joan Ganz Cooney Center. Considere a noção de “aprendizagem em torno de tecnologia” e tenha em mente que nunca há uma tecnologia perfeita. A maioria dos professores confia em indicações e em sua própria experiência. De acordo com pesquisas realizadas por Takeuchi, 48% das recomendações vêm de outros professores, 41% vem de sua própria experiência, e 31 % dos estudantes.

8 – Compartilhe sua produção

Existe um movimento online para professores compartilharem conteúdos, planos de aula e sua produção professional. Por toda a internet existem sites com recursos educacionais abertos gratuitos e disponíveis para edição. Para Elizabeth Murray, fundadora de uma instituição especializada em educação online e a distância, “há conceitos que são difíceis para os professores ensinarem e difíceis para os alunos aprenderem. Dessa forma, os professores também querem aprender outras formas de ensinar e ajudar outros professores. Muitas vezes falta às escolas a iniciativa de usar a tecnologia educacional para capacitar e inspirar o seu própria corpo docente”, ressalta a pesquisadora.

Fonte: TED