Fim da Guerra de Canudos

Bom dia a todos.

A Proclamação da República no Brasil aconteceu em 15 de novembro de 1889. A conquista política foi, sem dúvida, um grande passo para a democracia brasileira e para a formação cultural do nosso país. Porém, a situação das camadas mais pobres da população permaneceu a mesma. Enquanto os governantes disputam interesses, algumas regiões passavam por crises de miséria e pobreza.

A situação do Nordeste brasileiro era muito precária no final do século XIX. A região que já havia abastecido a economia brasileira durante a explicação açucareira de Portugal passava por maus bocados com a seca, fome, miséria e violência. O abandono político fez com que inúmeros conflitos surgissem na região. Dentre eles, merece destaque a Guerra de Canudos, no sertão da Bahia. Hoje, 05 de outubro, completa-se 114 anos do final da disputa armada.

Antônio Conselheiro: o pregador do sertão

Iniciada em novembro de 1896, Canudos teve como principal líder, o cearense Antônio Vicente Mendes Maciel. Nascido provavelmente em 1830, Antônio Conselheiro, como ficou conhecido, teve aulas de português, latim e francês na infância e trabalhou como comerciante professor e advogado dos pobres.

Após algumas decepções pessoais, em 1871, Antônio começa a peregrinar pelo sertão nordestino, dando conselhos e pregando mensagens religiosas aos sertanejos sem esperança. O beato acreditava que era enviado por Deus para exterminar as diferenças sociais e os pecados republicanos, como a cobrança de impostos. Antônio Conselheiro também conquistou adeptos por suas ações. Sempre que podia, ele reconstruía igrejas e cemitérios, coordenava mutirões para construção de casas, colheitas e distribuição de alimentos entre os mais pobres. Esse conjunto de características fez com que o pregador peregrino se tornasse popular em diversos estados brasileiros, dando a esperança de liberdade ao povo extremamente pobre, que sofria com a miséria e a fome.

A formação de Canudos

Em 1893, Antônio Conselheiro e seus seguidores decidiram fundar um povoado comunitário. O lugar ficou conhecido como Belo Monte e foi instalado na fazenda Canudos, no norte da Bahia. Lá, a economia era baseada no coletivo e, assim sendo, todos trabalhavam pelo bem comum e sustento do grupo. Antônio era a entidade máxima da religião do povoado. Desta forma, suas palavras eram lei dentro de Canudos. Ele era a Igreja e o Governo.

O problema é que as ideias se tornaram justificativa para a violência. Os jagunços de Canudos iniciaram uma onda de furtos e roubos contra os sertanejos e latifundiários da região. A situação ficou incontrolável para o governo da Bahia, que precisou acionar as tropas do exército da República para conter os conselheristas.

Teve início a Guerra, de fato. Foram necessárias quatro investidas do governo brasileiro para dominar Canudos. O exército de 10 mil soldados, liderados pelo general Artur Oscar, invadiram e destruíram a fazenda de Canudos em 05 de outubro de 1897. O massacre foi enorme e não poupou nem idosos, mulheres ou crianças. Conta-se que mesmo depois do golpe final, o exército continuou caçando os conselheiristas e aqueles que se recusam a abraçar a República eram degolados e tinham seus corpos queimados.

Saiba mais

Euclides da Cunha, um dos maiores escritores da Literatura brasileira, contou em seu livro “Os Sertões” a história de Canudos. Na época do conflito, ele foi convidado pelo jornal O Estado de S.Paulo a ser correspondente de guerra e reunir informações sobre o bando de Antônio Conselheiro e as ações dos militares na região. No livro, Cunha retrata a vida social em Canudos e conta como são as características geológicas, botânicas, hidrográficas e os problemas sociais do sertão nordestino.

O livro é considerado uma obra-prima da Literatura e ajudou Euclides da Cunha a receber uma vaga na Academia Brasileira de Letras e no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Hoje, “Os Sertões” já é de domínio público e pode ser baixado pelo link:

Confira também a obra de ficção do autor Gilberto Martins que conta a história de um rapaz de 19 anos, defendendo a honra de seus pais, e a de um povo, defendendo sua terra em pleno Arraial de Canudos.

Cidadela de Deus: A saga de Canudos - 2ª edição 

Autor: Gilberto Martins

Faixa etária: A partir de 13 anos

Trabalho interdisciplinar: Geografia, História, Português

Indicação: 8º Ano (EF2), 9º Ano (EF2)

Tema transversal: Pluralidade Cultural, Ética, Meio Ambiente

Número de páginas: 208

 

Filme


Guerra de Canudos – 1997 (Brasil)


Direção:
Sérgio Rezende

Duração: 169 min

Gênero: Drama

Sinopse: Em 1893, Antônio Conselheiro (um monarquista assumido) e seus seguidores começam a tornar um simples movimento em algo grande demais para a República, que acabara de ser proclamada e decidira por enviar vários destacamentos militares para destruí-los. Os seguidores de Antônio Conselheiro apenas defendiam seus lares, mas a nova ordem não podia aceitar que humildes moradores do sertão da Bahia desafiassem a República. Assim, em 1897, esforços são reunidos para destruir os sertanejos. Estes fatos são vistos pela ótica de uma família, que tem opiniões conflitantes sobre Conselheiro.



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