Química: jogando com os equilíbrios

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“O desenvolvimento de estratégias modernas e simples, utilizando laboratórios, sistemas multimídia e outros recursos didáticos diversos, é recomendado para dinamizar o processo de aprendizagem em Química (…). Vários autores têm apresentado trabalhos com jogos e destacado sua eficiência ao despertar interesse nos alunos. Tal interesse advém da diversão proporcionada pelos jogos e tem efeito positivo no aspecto disciplinar.” (SOARES, OKUMURA e CAVALHEIRO, 2003).

A proposta

Este artigo propõe um jogo didático adaptado e ampliado a partir do excelente trabalho original dos colegas Márlon Soares, Fabiano Okumura e Éder Cavalheiro. Os leitores que acompanham nossos artigos certamente notaram nossa preocupação em sugerir propostas que possibilitem a redução da carga das maçantes aulas de “Química de lousa” e substituí-las por atividades alternativas, como o jogo aqui apresentado.

A ideia é simples, mas bastante profícua: usar bolas de isopor distribuídas em dois conjuntos, A e B, que trocam unidades entre si. A execução da atividade levará à montagem de uma tabela (que mostrará o número de bolinhas em cada conjunto e em função do tempo de jogo) associada à construção de gráficos análogos àqueles utilizados no estudo dos equilíbrios químicos.

O material necessário

  • 50 pequenas bolinhas de isopor por grupo (20 para cada grupo e mais 10 que ficarão com o professor);
  • 1 caixa de sapatos ou semelhante (quanto maior a caixa, melhor para a execução da atividade). Bem no centro, deve-se pintar o sinal da dupla seta de equilíbrio e as letras A e B, conforme a imagem.
  • Papel e caneta para anotação das informações.
  • Relógio e apito para o professor.

O procedimento

Dentro da caixa, um dos lados receberá as bolinhas do conjunto A, que representará as partículas-reagente; do outro, o conjunto B: as partículas-produto.

Inicialmente, prepara-se o conjunto A com todas as 20 bolinhas de isopor, enquanto o conjunto B fica vazio. O início do jogo se dá com um primeiro apito soado pelo professor. O segundo apito, 5 segundos depois, sinaliza que deve ser feito o transporte da primeira bolinha de A para B. A cada apito simples (sugerimos o intervalo fixo de 5 segundos) uma nova transferência se repete.

Depois de algum tempo, o professor deverá emitir uma única vez um apito duplo; a partir dele, a cada novo apito simples os alunos devem ser instruídos a continuar transferindo uma bolinha de A para B, mas, simultaneamente, também transferir outra bolinha de B para A. Sugerimos um total de 24 transferências. O grupo deverá definir dois alunos para fazer as transferências (um de A para B e o outro de B para A) e organizar as bolinhas em cada um de seus respectivos lados na caixa, enquanto os demais integrantes anotam os resultados em uma tabela como a que segue:

Sugerimos que o procedimento seja executado três vezes, mudando-se apenas o momento do apito duplo – preferencialmente, um apito-duplo logo nos primeiros momentos, outro por volta do meio da atividade e, por último, um apito duplo mais para o final, de modo que os alunos obtenham gráficos distintos que poderão ser, na discussão dos resultados, relacionados a diferentes valores de constantes de equilíbrio, bem como sua relação com o rendimento de uma reação química.

Os resultados

A atividade gerará três tabelas. Em seguida, os grupos devem usar esses dados para construir três gráficos (eixo x = tempo; eixo y = quantidade de bolinhas dos conjuntos A e B). Cada gráfico deverá mostrar duas “curvas”: uma relativa às partículas-reagente (conjunto A) e outra às partículas-produto (conjunto B). Note no gráfico ao lado a semelhança que deverá ser estabelecida com os clássicos gráficos que representam equilíbrios químicos:

Observe que a partir da atividade os alunos deverão construir naturalmente a percepção das características fundamentais de um equilíbrio químico, normalmente tão difíceis de serem transmitidas por meio de aulas tradicionais. Acompanhe:

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O equilíbrio é dinâmico, fato que poderá ser facilmente associado ao movimento simultâneo das bolinhas de A para B e de B para A, pós-apito duplo.
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Depois de atingido o equilíbrio (apito duplo), as taxas (rapidez) das reações direta e inversa são claramente iguais – para cada bola que vai de A para B, simultaneamente há outra que vai de B para A.
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As concentrações de reagentes e de produtos não se alteram depois de atingido o equilíbrio (número de unidades em cada conjunto, A e B, não se altera).

Por último, utiliza-se o valor do quociente NB/NA como fator de introdução ao conceito de constante de equilíbrio. Nas três tabelas construídas com os resultados experimentais, os valores NB/NA variam com o tempo até que, em dado momento, passam a ser constantes. Esses valores, agora constantes, permitem uma clara analogia com a constante de equilíbrio. Em cada uma das três situações deverá ficar evidenciada a relação entre o valor numérico da constante de equilíbrio e a predominância de reagentes ou produtos em um sistema que atingiu o equilíbrio químico, desmistificando a concepção errônea e bastante comum entre os alunos de que o equilíbrio somente é atingido quando a quantidade de reagente(s) é igual à de produto(s) – provavelmente um problema gerado pelo uso do termo equilíbrio, que pode induzir o aluno a considerar que “um sistema equilibrado” é aquele com mesmas quantidades de reagentes e produtos, conceito incorreto que é facilmente derrubado pela execução desta atividade.

O deslocamento de equilíbrio

Sugerimos que em uma das três atividades (com apito-duplo na 16° transferência, veja tabela abaixo), depois de terminada a construção da tabela, o professor pegue 10 bolas extras e coloque-as todas no conjunto A (simulação da adição de mais reagente a um sistema em equilíbrio). Passe então o apito para um aluno, instruindo-o a assoprá-lo de 5 em 5 segundos. A cada apito simples, o professor, observado pelos alunos, deverá passar uma bola de A para B até que, a partir de determinado momento, ele passa a transportar uma bola de A para B e outra de B para A, simultaneamente. Enquanto isso, os alunos deverão observar e complementar a tabela.

IMPORTANTE: o professor deverá calcular o “instante do novo equilíbrio” de modo que o quociente NB/NA volte a ser o mesmo de antes! Acompanhe abaixo uma sugestão que pode ser seguida com ótimos resultados.

Observe o enorme ganho dessa atividade como introdução ao Princípio de Le Chatelier. A adição de mais reagente leva, claramente, a uma nova situação de equilíbrio onde parte do que foi adicionado, foi consumido – das 10 bolinhas adicionadas, somente 8 foram “consumidas”. Assim, constrói-se naturalmente a percepção de que o equilíbrio se desloca perante uma perturbação externa, mas não volta à composição original! Todo professor sabe a dificuldade que é trabalhar esse conceito em sala de aula – veja, portanto, o grande valor desse jogo didático. O aluno também notará de modo concreto que houve formação de mais produto (as bolinhas-produto passam de 16 para 24) – uma clara referência àquilo que se convencionou chamar de “deslocamento para a direita” -, até que o quociente volte a valer 4 (a constante de equilíbrio!). Ao construir o gráfico referente a esse deslocamento, deverá decorrer de modo bastante natural o significado da expressão “deslocamento de equilíbrio” e o fato da constante de equilíbrio permanecer a mesma, abrindo as portas para o professor discutir outras perturbações que podem ocorrer sobre um sistema em equilíbrio, visto que o aluno terá construído de forma bastante sólida o conceito fundamental necessário para tal.

As limitações da atividade

Como alertam de forma bastante consciente e importante os colegas Márlon Soares, Fabiano Okumura e Éder Cavalheiro em seu artigo original, é claro que há diferenças entre um sistema químico em equilíbrio e o jogo apresentado, mas nada que comprometa sua utilização; pelo contrário, a discussão das limitações pode e deve se transformar em uma interessante ferramenta para o professor antecipar conclusões precipitadas que eventualmente possam surgir e orientar o aluno no caminho da conclusão adequada.

Para isso, é importante que o professor faça a mediação de um debate em que, além dos resultados, algumas limitações sejam discutidas:

o desenrolar de uma reação química é aproximadamente constante (com perda de rapidez ao longo do tempo), e não acontece de 5 em 5 segundos;

a reação inversa ocorre desde o início, e não apenas a partir de um certo momento (apito-duplo);

os gráficos obtidos a partir do experimento são formados por retas, enquanto os de equilíbrio químico são curvos;

é importante discutir o fato deste modelo tratar as unidades dos conjuntos como estando em lados opostos do recipiente. Portanto, deve-se tomar especial cuidado em não se reforçar a ideia de um suposto equilíbrio existente em dois compartimentos distintos – isso deve ficar claro no momento da transposição didática e ser um dos principais focos de discussão no debate.

No entanto, note que essas limitações podem ser discutidas e até mesmo aproveitadas no debate para a elaboração do conceito de modelo em Ciências e sua constante evolução. É importante que o professor discuta com os alunos as limitações de todos os modelos e analogias, antecipando seus aspectos “negativos” e, assim, corrigindo a rota quando necessário. Em nossa experiência, podemos afirmar que há muito a ganhar e praticamente nada a perder. E então, vamos jogar?

Escrito pelos autores Emiliano Chemello Luís Fernando Pereira. Ambos são coautores, juntamente com Alberto Ciscato, da coleção QUÍMICA, da Editora Moderna.

Emiliano Chemello é Licenciado em Química e Mestre em Ciência e Engenharia de Materiais pela UCS. Professor de química no Ensino Médio e cursos Pré-Vestibulares.

Luís Fernando Pereira é químico industrial formado e licenciado pela USP. Leciona no Curso Intergraus desde 1995. É o químico consultor do programa Bem Estar, da Rede Globo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

SOARES, M. H. F. B.; OKUMURA, F.; CAVALHEIRO, E. T. G. Proposta de um Jogo Didático para Ensino do Conceito de Equilíbrio Químico. QNEsc, nº 18, Novembro 2003. Disponível em http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc18/A03.PDF

5 livros para trabalhar a cultura afro-brasileira em 2017

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O dia 20 de novembro celebra a Consciência Negra e relembra a todos a importância de viver em um mundo repleto de diversidade. Nesta data, celebramos a influência das raízes africanas no nosso país e levantamos debates sobre temas transversais e de extrema importância como o combate ao racismo, a promoção da convivência, a cultura afro-brasileira e o respeito.

Sabendo da relevância do assunto e da necessidade de falarmos cada vez mais sobre isso com os nossos alunos, nós selecionamos 5 obras para que professores de todo o Brasil possam realizar projetos especiais, focados na conscientização e no respeito à pluralidade.

Os conteúdos dos livros podem ser trabalhados ao longo do ano ou em projetos interdisciplinares para datas comemorativas e são destinados aos diversos segmentos da educação básica. São obras de ficção e de não ficção que abordam aspectos diferenciados da cultura de influência africana e sua correlação e presença no nosso cotidiano.

Para conhecer mais sobre estes livros, entre em contato com o consultor Moderna na sua escola ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone 0800 17 2002 para agendar uma visita.

ENSINO FUNDAMENTAL 1

***FINALISTA PRÊMIO JABUTI 2016! ***

Categoria Didático e Paradidático

KIESE: HISTÓRIA DE UM AFRICANO NO BRASIL

Antepassados
Editora Moderna

Autor: Ricardo Dreguer
Edição: 1ª Edição
Ilustração: Bruna Assis Brasil
Faixa etária: A partir de 09 anos
Trabalho interdisciplinar: Geografia, História, Português
Indicação: 4º Ano (EF1), 5º Ano (EF1), 6º Ano (EF2)
Assunto: África, Cultura afro-brasileira, Escravidão no Brasil
Tema transversal: Cidadania, Pluralidade Cultural, Ética
ISBN: 9788516096700

Sinopse: O livro narra a trajetória de Kiese, um menino que foi capturado ainda na infância em sua aldeia, na África, e trazido para o Brasil para ser escravizado. É também a história de muitos africanos que foram tirados de seu território, separados de seus familiares e amigos e trazidos para o Brasil ao longo do tempo que durou o regime escravista em nosso país. A história de Kiese é a história de um brasileiro que lutou para conquistar um lugar para ser feliz com sua família, seus amigos e sua gente. Sua história se confunde com a própria formação do Brasil.

O QUE HÁ DE ÁFRICA EM NÓS?

Coleção Viramundo
Editora Moderna

Autor: Wlamyra R. de Albuquerque, Walter Fraga
Ilustração: Pablo Mayer
Faixa etária: A partir de 09 anos
Trabalho interdisciplinar: História, Português
Indicação: 4º Ano (EF1)
Assunto: africanos, escravidão, negros no Brasil
ISBN: 9788516084769

Sinopse: O que há de África em nós é um livro de viagens. Os personagens atravessam o oceano Atlântico, visitam outros períodos históricos, embarcam em navios e chegam a lugares e situações diferentes. Tudo começa com uma pergunta: Desde quando o mundo é mundo? Essa questão nos leva ao continente africano. Venha navegar com Cecília, Camila, Akin, Chico, Isabel e Alice nessa incrível história sobre a presença africana no Brasil.

ENSINO FUNDAMENTAL 2

A AMIZADE ETERNA E OUTRAS VOZES DA ÁFRICA

Veredas
Editora Moderna

 

Autor: Ilan Brenman
Edição: 1ª Edição
Ilustração: Catarina Bessell
Faixa etária: A partir de 09 anos
Trabalho interdisciplinar: Geografia, História, Português, Português
Indicação: 4º Ano (EF1), 5º Ano (EF1), 6º Ano (EF2), 7º Ano (EF2)
Assunto: África, ancestralidade, astúcia, escravidão, esperteza, origem, traição
Tema transversal: Pluralidade Cultural
ISBN: 9788516103637

Sinopse: Cada conto deste livro tem no seu DNA a sabedoria, o humor, a perspicácia e a celebração da vida, deixando um legado de inestimável valor para os homens do futuro.

UM GRITO DE LIBERDADE: A SAGA DE ZUMBI DOS PALMARES

Recontando a História
Editora Moderna

Autor: Álvaro Cardoso Gomes, Rafael Lopes de Sousa
Edição: 1ª Edição
Faixa etária: A partir de 11 anos
Trabalho interdisciplinar: História, Português
Indicação: 6º Ano (EF2), 7º Ano (EF2), 8º Ano (EF2), 9º Ano (EF2)
Assunto: Escravidão, Palmares, Quilombos, Sociedade Açucareira, Zumbi
Tema transversal: Pluralidade Cultural
ISBN: 9788516102753

Sinopse: Um jovem escravo, batizado como Francisco, vive em companhia de um padre que é seu protetor. Aprendeu a ler, a escrever e tem regalias que seus companheiros não têm. Mesmo assim, é um eterno descontente, porque almeja conquistar o bem que considera mais precioso – a liberdade. Ao mesmo tempo, a história contempla também o drama da jovem Kênia, uma escrava recém-chegada da África e que se apaixonará por um forte guerreiro chamado Vemba. Contando com muita ação, lutas sangrentas, atos de heroísmo, a narrativa procura resgatar a saga de Palmares. No reino criado pelos negros, estes personagens farão de tudo para manter acesa a chama da liberdade.

DA COR DA ESPERANÇA: A LIBERTAÇÃO DOS ESCRAVOS

Recontando a História
Editora Moderna

Autor: Márcia Abreu
Edição: 1ª Edição
Faixa etária: A partir de 11 anos
Trabalho interdisciplinar: História, Português
Indicação: 6º Ano (EF2), 7º Ano (EF2), 8º Ano (EF2), 9º Ano (EF2)
Assunto: Abolicionismo, Caifazes, Escravidão, Lei Áurea
Tema transversal: Pluralidade Cultural, Ética
ISBN: 9788516102746

Sinopse: Que cor deve ter alguém para ser gente? De que cor deve ser para ter esperança? Até o século XIX, muitos negros foram escravizados e tratados como animais ou coisas. Eram comprados e vendidos, trabalhavam à força, eram castigados duramente. Gente não se submete a este tipo de tratamento sem revolta, por isso eles organizaram rebeliões e fugas, resistiram aos desmandos e lutaram para se tornar livres. Da cor da esperança conta a história de um grupo de negros – escravos, livres e libertos – desde a captura na África até os movimentos abolicionistas. Gente que tinha dor e queria ser livre, gente que sofria e fazia festa, gente que amava e sentia medo.

Conheça outras obras

Preparamos um catálogo especial para os professores que têm interesse em trabalhar com os elementos da cultura africana na sala de aula. Vale lembrar que a Unesco proclamou a década de 2015 a 2024 como a Década Internacional das Pessoas de Ascendência Africana e, para isso, organizou a campanha “Afrodescendentes: reconhecimento, justiça e desenvolvimento”. Confira mais algumas obras do nosso catálogo que trabalham o tema e são específicas para cada segmento.

7 RECURSOS TECNOLÓGICOS PARA PROFESSORES DE QUÍMICA

By | A Química e a vida | One Comment

No artigo sobre tecnologia publicado recentemente neste blog, tratou-se da importância do uso de recursos tecnológicos no ensino dos tempos modernos. Aproveitando o ensejo, elencamos sete ferramentas gratuitas que facilitam o dia a dia dos professores de Química e que colaboram para tornar suas aulas ainda mais dinâmicas e produtivas. Apresentamos uma breve descrição para cada uma, bem como a indicação de links para obtê-las e de tutoriais sobre como utilizá-las. Confira:

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ACD/Chemsketch

Qual professor de Química nunca se viu diante do dilema: como construir uma fórmula estrutural orgânica para usar em seus materiais, tais como provas e apostilas? Sem saber como fazer, alguns procuram a fórmula pronta na internet, mas com frequência não as encontramos exatamente como desejamos. Há quem tente desenhá-las em programas de edição de imagem, mas o resultado não costuma ser dos melhores.

O ACD/Chemsketch é ótimo para isso! E mais: permite gerar o nome do composto a partir da fórmula estrutural, além de uma série de outros recursos, como visualização 3D com o modelo bola-vareta. Trata-se de uma ferramenta muito versátil que todo o professor de Química precisa conhecer! Clique na imagem ao lado para fazer o download da ferramenta:

Tutorial de uso – ACD/Chemsketch

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MolView – software simples para construção de moléculas orgânicas

Se o professor busca por um software mais simples e on-line, sem que haja a necessidade de download, uma opção mais simples é o MolView, que não requer instalação, e cai como uma luva! Com uma interface simples e intuitiva, permite o desenho rápido de estruturas orgânicas mesmo para quem ainda sente arrepios só de pensar em ligar o computador!

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Chemistry Formatter – suplemento para formatação de fórmulas do pacote Office®

Tem coisa mais trabalhosa do que digitar fórmulas moleculares no Microsoft Word®? É subscrito para cá, sobrescrito para lá! Haja paciência e precisão para não sair nada errado. Vira e mexe aparece um H2O por aí…

Mas por que ninguém inventa um simples botãozinho no Word para resolver nossos problemas? Bom, ele já existe… O único porém é que ele não está diretamente disponível – trata-se de um suplemento chamado Chemistry Formatter.

Depois de instalá-lo, uma equação digitada deste jeito

após um simples clique, fica assim:

Clique na imagem e faça o download do arquivo do suplemento para instalação no Word

Saiba como adicionar os suplementos no Microsoft Office, clicando aqui.

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PhET – Simulações interativas

Algumas escolas até contam com equipamentos de projeção de imagens em sala de aula, mas eles costumam ser subutilizados, visto que muitos consideram aulas com slides uma opção enfadonha. Mas e se fosse possível ir além dos slides?

Uma ótima opção para dinamizar as aulas é utilizar simulações. Há diversas disponíveis na internet, mas destacamos aqui aquelas produzidas pelo PhET, um projeto da Universidade do Colorado, EUA, que conta com inúmeras animações nas áreas de ciências (química, física e biologia) e matemática.

Boa parte das simulações está em português! E você pode acessá-las on-line (clicando aqui), ou baixá-las em seu computador. Elas são todas muito intuitivas, e podem funcionar muito bem, inclusive quando utilizadas pelos próprios alunos, proporcionando aulas bem interessantes! A seguir indicaremos algumas que nos agradaram bastante:

Balanceamento de equações

Concentrações de soluções: 

Decaimento alfa

Propriedades dos gases

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Ptable – tabela periódica dinâmica

O estudo da tabela periódica pode se tornar mais dinâmico com o uso da Ptable, uma tabela virtual que conta com inúmeros recursos. Sempre atualizada, inclui as mais novas descobertas de elementos químicos (sua última atualização é de setembro/2016). Totalmente em português, pode ser utilizada nas aulas tanto pelo professor quanto pelos alunos. Além dos elementos, ela contém várias outras informações interativas, como o estado de agregação em função da temperatura, principais isótopos, dentre outras. Tudo alcançável em apenas um clique! Conheça todos os recursos clicando na imagem ao lado e veja como é simples utilizar no tutorial em vídeo abaixo:

Conteúdos Educacionais Digitais – CCEAD – PUC-Rio

O Ministério da Educação lançou em 2007 um edital para a produção de conteúdos digitais. A PUC-Rio coordenou e produziu uma série de recursos de áudio, vídeo e softwares que abrangem boa parte do currículo de Química. Todos os recursos aqui indicados possuem um Guia Didático para o professor com orientações e sugestões de como trabalhar com os recursos em sala de aula. Destacamos a qualidade dos vídeos, que têm uma linguagem bem acessível e edição de primeira! Clique e conheça:

IUPAC Gold Book online – compêndio de terminologia química

A IUPAC (International Union of Pure and Applied Chemistry – União Internacional de Química Pura e Aplicada) possui uma versão interativa on-line do seu compêndio de terminologia química, o Gold Book (Livro de Ouro). Trata-se de uma espécie de dicionário que contém os principais conceitos da química. Basta utilizar o campo de pesquisa para adicionar um conceito da química (em inglês) e ter acesso à definição desejada. Além disso, o site traz um mapa interativo com os conceitos relacionados.

Mãos à obra, colega professor(a), e que venha um 2017 com aulas cheias de novidades! Ano novo, aulas novas!

Escrito pelos autores Emiliano Chemello Luís Fernando Pereira. Ambos são coautores, juntamente com Alberto Ciscato, da coleção QUÍMICA, da Editora Moderna.

Emiliano Chemello é Licenciado em Química e Mestre em Ciência e Engenharia de Materiais pela UCS. Professor de química no Ensino Médio e cursos Pré-Vestibulares.

Luís Fernando Pereira é químico industrial formado e licenciado pela USP. Leciona no Curso Intergraus desde 1995. É o químico consultor do programa Bem Estar, da Rede Globo.

Tecnologias nas trincheiras da sala de aula: vamos perguntar aos professores?

By | Educação para a vida | One Comment

São muitos os eventos sobre tecnologias educacionais e é comum se falar que se usa pouca tecnologia na educação porque os professores são avessos ou não estão preparados. Mas é bem menos comum termos uma mesa de professores brasileiros “heavy users” de tecnologia discutindo tendências a partir de suas próprias experiências cotidianas. Por isso, no último mês de outubro, a Editora Moderna e o Instituto Singularidades realizaram o encontro “Das trincheiras da sala de aula ao debate de tendências”, no qual profissionais da educação, envolvidos em projetos práticos e relevantes para sua comunidade escolar, foram convidados ao debate como forma de estimular outros docentes, mostrando que é possível assimilar as tendências pedagógicas para torná-las realidade.

O bate papo com Ailton Camargo (professor de História em escolas públicas e particulares), Fernando Trevisani (professor de Matemática em escolas particulares) e Cristina van Opstal (professora de EF1 em escolas públicas e de língua portuguesa no ensino superior) passou por alguns pontos de convergência, que você pode conferir abaixo e nos vídeos do encontro:

As tecnologias educacionais vieram para ficar.

Mas as tecnologias só ajudam realmente quando a adoção parte de um problema encontrado pelo professor e para o qual elas sejam parte da solução. Ou seja, primeiro o professor precisa ter um objetivo pedagógico e a partir daí escolhe uma tecnologia que seja mais eficaz para atingir o objetivo do que o professor faria sem a tecnologia.

Nem sempre as coisas dão certo quando tentamos usar tecnologias na sala de aula. 

É comum as coisas darem errado quando tentamos usar tecnologias na sala de aula. Aliás, é comum as coisas darem errado na sala de aula. O erro faz parte do processo e é importante o professor ter ao menos um plano B e até um plano C, especialmente por causa de questões de infraestrutura.

Aposte na relação dos alunos com a tecnologia

Em geral, os alunos ficam super motivados quando aprendem com tecnologias, os problemas de comportamento se reduzem, a atenção e aprendizagem aumentam. Se o planejamento da atividade com tecnologia for feita junto com os alunos, eles ficam ainda mais comprometidos e inclusive ajudam a contornar eventuais dificuldades de implementação.

Incentive a participação dos pais e da comunidade em trabalhos com a tecnologia

Envolver a comunidade escolar – coordenadores e famílias – nos projetos com tecnologias na educação é importante para que todos entendam os objetivos do processo. Vale lembrar que os adultos não tiveram experiência com tecnologias em sua educação e costumam estranhar estas inovações.

Personalização é importante, mas ainda está distante da realidade brasileira

A personalização é um objetivo importante da integração de tecnologia na aprendizagem, para que cada aluno possa aprender no ritmo e do jeito mais adequado. Os professores relataram experiências bastante interessantes com plataformas e conteúdos em diferentes formatos. Contudo este ainda é um caminho longo a ser trilhado em conjunto entre desenvolvedores de plataformas, analistas de dados e professores.

O professor se sente motivado com o engajamento do aluno

A motivação dos professores para usar tecnologias vem da percepção de que os alunos se envolvem mais e tem um aprendizado mais efetivo. Para que mais professores se motivem é importante:

  1. Ouvir mais os professores
  2. Promover formação específica para uso de tecnologia na educação
  3. Promover incentivos, valorização e oportunidades de carreira para aqueles que ousam e implementam inovações efetivas.

Saiba mais

Confira alguns vídeos do encontro e como foram os debates entre os participantes:

Escrito por Isabel Farah Schwartzman, gerente de Novos Projetos do Grupo Santillana.

10 LIVROS PARA TRABALHAR A CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2017

By | Literatura, Novidades | No Comments

Abaixo, selecionamos 10 opções de livros paradidáticos que ajudarão a desenvolver um projeto interdisciplinar completo na escola.

Enaltecer a preservação do meio ambiente e entender a riqueza dos biomas brasileiros, valorizando a formação do aluno é o objetivo principal da Campanha da Fraternidade de 2017 e das escolas que aderem ao movimento. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) definiu o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema “Cultivar e guardar a Criação” para a Campanha da Fraternidade do próximo ano.

Para ajudar escolas e professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental que aderem ao movimento, a Editora Moderna preparou um catálogo especial com diversas obras paradidáticas, clique aqui e confira.

Abaixo, selecionamos 10 opções de livros paradidáticos que ajudarão a desenvolver um projeto interdisciplinar completo na escola.

EDUCAÇÃO INFANTIL

MIL PÁSSAROS PELOS CÉUS

Série Vou Te Contar!
Editora Salamandra

Autor: Ruth Rocha
Ilustração: Rogério Coelho
Faixa etária: A partir de 06 anos
Indicação: Alfabetização (EI)
Área: Ficção
Assunto: Amizade, Animais, Música, Poesia
Número de páginas: 32
ISBN: 9788516063023

Sinopse: Qual o segredo, meu Deus, que medo?! O que fez todos os pássaros fugirem de Passaredo? Que coisa triste uma cidade assim: com pássaros no nome e nenhum em seus jardins! Mas o doutor Andrade, o sábio mais sábio da cidade, vai descobrir toda a verdade!

A PRIMAVERA DA LAGARTA

Série Vou Te Contar!
Editora Salamandra

Autor: Ruth Rocha
Ilustração: Madalena Elek
Faixa etária: A partir de 06 anos
Área: Ficção
Número de páginas: 32
ISBN: 9788516065331

Sinopse: Bem no meio da clareira, debaixo da bananeira, os bichos da floresta resolveram fazer uma festa. Mas não era festa, não! Era um comício do Sr. Camaleão. Todos protestavam contra a feiura da lagarta. Só não contavam com a sabedoria da mãe-natureza que na primavera espalha sua beleza!

ENSINO FUNDAMENTAL 1

ESTA CASA É MINHA!

Série Ana Maria Machado
Editora Moderna

Autor: Ana Maria Machado
Ilustração: Elisabeth Teixeira
Trabalho interdisciplinar: Ciências, Geografia, História
Indicação: 4º Ano (EF1), 5º Ano (EF1)
Área: Ficção
Tema transversal: Pluralidade Cultural, Ética, Meio Ambiente, Trabalho e Consumo
Número de páginas: 36
ISBN: 9788516061746

Sinopse: Paula e Beto viviam com seus pais em uma cidade grande, em um apartamento sem quintal. Certo dia, as coisas mudaram: o pai deles decidiu comprar um terreno à beira da praia, repleto de bichos, de micos, lagartos e maritacas. A família estava eufórica com sua casa nova, e não faltavam ideias para a reforma: retirar o mato da frente da casa para fazer um gramado, cimentar a parte de trás para construir uma churrasqueira… Eis que tudo muda quando o caseiro Zé Juca ficou responsável pelos cuidados da casa. Será que Paulo e Beto vão entender que aquela casa, aquele terreno tão maravilhoso também era a casa dos micos, dos lagartos, dos pássaros?

ARARA, TUCANO, BORDADOS NO PANO

Série Adivinhas bordadas
Editora Moderna

Autor: Fábio Sombra
Ilustração: Sabina Sombra
Faixa etária: A partir de 05 anos
Trabalho interdisciplinar: Arte, Ciências, Literatura
Indicação: 1º Ano (EF1), Pré-escolar (EI)
Área: Ficção
Assunto: adivinhas, animais, aves, poesia
Tema transversal: Pluralidade Cultural
Número de páginas: 48
ISBN: 9788516084417

Sinopse: Quem não gosta de decifrar uma boa adivinha? Ainda mais se ela nos for apresentada em forma de versos divertidos e bem rimados. Este livro é sobre as aves brasileiras. São dezesseis pássaros que habitam nossas matas e campos. E você? Será que consegue adivinhar quais são elas?

GUERRA NO RIO

Coleção Girassol
Editora Moderna

Autor: Ganymédes José
Ilustração: Grego
Faixa etária: A partir de 07 anos
Indicação: 2º Ano (EF1), 3º Ano (EF1)
Área: Ficção
Assunto: Poluição dos rios, Preservação do ambiente
Tema transversal: Saúde, Meio Ambiente
Número de páginas: 64
ISBN: 8516031470

Sinopse: O livro possibilita ao leitor pensar no desespero dos habitantes de um rio que está sendo destruído pela poluição. Em uma ação desesperada, os peixes, as plantas e as pedras do rio unem-se para enfrentar o mal causado pelos homens.

AQUECIMENTO GLOBAL NÃO DÁ RIMA COM LEGAL

Saber em cordel
Editora Moderna

Autor: César Obeid
Trabalho interdisciplinar: Ciências, Português
Indicação: 1º Ano (EF1), 2º Ano (EF1), 3º Ano (EF1), 4º Ano (EF1), 5º Ano (EF1)
Área: Não Ficção
Tema transversal: Pluralidade Cultural, Ética, Meio Ambiente
Número de páginas: 48
ISBN: 9788516059729

Sinopse: Neste livro você vai conhecer, de uma maneira bem diferente, o tema do aquecimento global. Suas causas, consequências e soluções são contadas por meio de diversas modalidades de estrofes da literatura de cordel. Além disso, textos escritos em prosa vão aprofundar seus conhecimentos para além das geleiras derretidas, dos ciclones e da vida dos ursos polares. A xilogravura foi a forma escolhida para mostrar este assunto tão importante e atual de uma maneira envolvente e cheia de rimas! Boa leitura!

O SURFISTA E O SERTANEJO: ENCONTRO DO MAR COM O SERTÃO

Encontros brasileiros
Editora Moderna

Autor: Ricardo Dreguer
Trabalho interdisciplinar: Geografia, História, Português
Indicação: 3º Ano (EF1), 4º Ano (EF1), 5º Ano (EF1), 6º Ano (EF2), 7º Ano (EF2)
Área: Não Ficção
Tema transversal: Pluralidade Cultural, Meio Ambiente
Número de páginas: 48
ISBN: 9788516050863

Sinopse: O que fazer para enfrentar esses desafios, fazer amigos e curtir as diferenças? Beto, um garoto surfista que ama o mar, precisa abandonar sua cidade e se mudar para o sertão nordestino. Lá, ele encontra João, um sertanejo que tem um cabrito de estimação. Quer saber como essa história continua? Então, venha participar desse encontro do mar com o sertão…

ENSINO FUNDAMENTAL 2

OBRA FINALISTA DO PRÊMIO JABUTI 2016

SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL: UMA QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA

Coleção Polêmica
Editora Moderna

Autor: Denise Maria Elisabeth Formaggia, Luiz Roberto Magossi, Paulo Henrique Bonacella
Edição: 1ª Edição
Faixa etária: A partir de 15 anos
Trabalho interdisciplinar: Biologia, História
Indicação: 1º Ano (EM), 2º Ano (EM), 3º Ano (EM)
Área: Não Ficção
Assunto: Sustentabilidade e o papel da sociedade
Tema transversal: Saúde, Pluralidade Cultural, Ética, Meio Ambiente
ISBN: 9788516101305

Sinopse: Você sabia que para vivermos de modo sustentável (segundo os padrões de consumo da América do Norte e parte da Europa), a população do planeta não poderia ter ultrapassado 2 milhões de habitantes? Somos hoje 7,3 bilhões! Se mantivermos os números atuais de crescimento da economia e da população mundial, até 2030 necessitaremos de um segundo planeta Terra para viver… Por isso, nunca se falou tanto sobre sustentabilidade como nos dias atuais. O ser humano está começando a constatar que ele próprio coloca em risco sua sobrevivência no planeta. Neste livro, os autores convidam o leitor para um passeio pela linha do tempo da história da humanidade e explicitam o porquê de necessitarmos mudar, urgentemente, conceitos e hábitos de vida que até hoje não questionamos, ou simplesmente ignoramos.

AVENTURAS NA AMAZÔNIA: UMA BRILHANTE AVENTURA BIOLÓGICA!

Jornada Científica
Editora Moderna

Autor: Dan Green
Edição: 1ª Edição
Tradução: Daniela Almenara
Ilustração: David Shephard
Faixa etária: A partir de 13 anos
Trabalho interdisciplinar: Biologia, Ciências
Indicação: 8º Ano (EF2), 9º Ano (EF2)
Área: Não Ficção
Assunto: Desmatamento, Floresta amazônica, Meio ambiente
Tema transversal: Pluralidade Cultural, Ética, Meio Ambiente
Número de páginas: 48
ISBN: 9788516096717

Sinopse: Os livros da coleção Jornada Científica são feitos para estimular os jovens a desenvolver habilidades em Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Eles aprenderão como aplicar o conhecimento científico por meio de aventuras literárias. Em cada história, o leitor deve responder uma série de perguntas e quebra-cabeças científicos para progredir e chegar ao fim.
Em Aventuras na Amazônia, o leitor é convidado a desvendar os enigmas da floresta tropical para ajudar em uma missão de resgate na Amazônia. Esta brilhante aventura biológica nos traz curiosidades sobre os animais, as plantas, o desmatamento e os segredos escondidos da natureza tropical.

NATUREZA E SERES VIVOS

Coleção Desafios
Editora Moderna 

Autor: Samuel Murgel Branco
Edição: 3ª Edição
Ilustração: Gilmar e Fernandes
Faixa etária: A partir de 11 anos
Trabalho interdisciplinar: Ciências, Português
Indicação: 6º Ano (EF2), 7º Ano (EF2), 8º Ano (EF2), 9º Ano (EF2)
Área: Não Ficção
Assunto: Cadeia alimentar, desenvolvimento sustentável, equilíbrio da natureza, interdependência entre natureza e seres vivos
Tema transversal: Ética, Meio Ambiente
Número de páginas: 56
ISBN: 9788516089368

Sinopse: Você já ouviu falar em cadeias alimentares, seres decompositores e fotossíntese? Pois estes são alguns dos conceitos que você conhecerá neste livro. Ele mostra como cada elemento da cadeia alimentar é importante para o equilíbrio da natureza. Ao ler esta obra, você perceberá a importância dos seres humanos para a preservação do meio ambiente, à medida que eles se relacionam com os lugares onde vivem, estabelecem um modo de vida e utilizam os recursos naturais. Desenvolver a consciência para a preservação do meio ambiente é fundamental para não comprometer seu equilíbrio. Você também tem um papel importante nessa tarefa. Leia o livro e descubra como. Vamos lá?

O clássico experimento da vela: uma história de imprecisões

By | A Química e a vida | One Comment

Qual professor de Química não gosta de fazer uma demonstração rápida, simples e elegante como comprovação de fatos importantes, tais como o gás oxigênio ocupar aproximadamente 20 % em volume do ar atmosférico, não é? E a maioria dos alunos também gosta! No entanto, a experimentação em Química não tem seu merecido lugar de protagonismo em boa parte das escolas brasileiras onde se perpetua, anos a fio, a “Química de lousa”, normalmente bastante maçante e muito pouco produtiva.

Daí não se poder tirar a razão do brilhante cientista estadunidense Carl Sagan (1934-1996), ao dizer que “toda criança começa como uma cientista nata, e então nós arrancamos isso delas”.

Por outro lado, quando nos enveredamos no mundo das clássicas demonstrações, é importante tomar cuidado para não perpetuar os mesmos equívocos propagados há décadas. Um caso bastante interessante é o da demonstração da vela que queima em um recipiente fechado (por exemplo, um copo virado de ponta cabeça) com água ao fundo. Observe ao lado:

A vela deve ser acesa e o copo rapidamente 
colocado sobre ela, conforme mostra 
a ilustração. 

Em questão de segundos, a vela se apaga e o nível da água sobe cerca de 20%. Observe:

Os registros históricos mais antigos deste experimento são de 2.200 anos atrás, muito antes da Química se estabelecer como uma ciência (VERA, RIVERA e NÚÑEZ, 2011). Muitos livros explicam este fenômeno alegando que a vela queima enquanto houver gás oxigênio disponível no interior do copo e, portanto, quando a vela apaga, é porque todo o O2(g) foi consumido (BRAATHEN, 2000). Sendo esse gás o componente de cerca de 20% do volume do ar, parece inicialmente sensato supor que água suba 20% em relação ao seu nível inicial de modo a compensar o volume queimado de gás oxigênio. Assim, teríamos uma elegante comprovação de que o gás oxigênio, de fato, compõe 20% do volume do ar atmosférico! Legal, não é? Só tem um problema: essa explicação está errada.

Tem alguma coisa errada aí!

Sugerimos que o colega professor execute – ou, melhor ainda, peça para os alunos executarem – o experimento, apresente a precipitada conclusão acima e peça que cada grupo de alunos indique ao menos uma refutação para essa conclusão, gerando uma abordagem investigativa. Algumas prováveis refutações que poderão surgir:

  • Se considerarmos a fórmula molecular para a parafina como sendo C25H52 (forneça essa fórmula a seus alunos), temos a seguinte equação para sua combustão completa:

Observe que para cada 38 mol de gás oxigênio, formam-se 51 mol de gás carbônico e vapor d’água. Portanto, a priori, não há redução, mas aumento de volume gasoso no sistema! Inclusive, um observador atento poderá até mesmo notar o escape de gases de dentro do copo na forma de bolhas, como pode ser visto neste vídeo:

(note que ao final do vídeo é fornecida a explicação incorreta!).

Essa conclusão é incompleta, pois, como veremos, há outros fatores a serem considerados, mas ela já começa a abrir uma janela de desconfiança com relação à famosa conclusão citada. Confira algumas questões que propomos abaixo

  • Como explicar a variação na velocidade da subida da água? Seria de se esperar que a água subisse a uma velocidade constante, já que o gás oxigênio é consumido a uma taxa quase constante durante todo o processo da queima. Mas não é isso que se observa! Chama também a atenção o fato da subida da água ainda continuar acontecendo depois do apagar da chama, o que não faz sentido segundo a explicação fornecida, pois o O2(g) já teria, então, sido totalmente consumido! Sem dúvida, algo não cheira bem nessa explicação…
vela-química-1
  • A combustão, de fato, requer ar relativamente rico em gás oxigênio, mas será que todo O2(g) interno é consumido? Para isso, sugerimos a atividade de um experimento complementar em que se utilizam duas velas de alturas diferentes.

Quando esse experimento é feito, nota-se que a vela mais alta apaga antes! Teria o gás oxigênio acabado apenas para a vela mais alta? Ora, claro que não, as duas velas estão inseridas no mesmo ambiente! Então elas deveriam apagar juntas, mas isso só se a explicação fornecida estivesse correta…

Mas por que a vela mais alta apaga antes? Acredita-se que os produtos, gás carbônico e vapor d’água, uma vez aquecidos e, portanto, menos densos, se concentrem no topo do copo. Como o gás carbônico não é inflamável, ao estar concentrado próximo à chama superior, a vela apaga.

        Ao utilizarmos duas velas de 
        diferentes tamanhos, algo muito 
        interessante acontece!

Nota-se, porém, que logo depois a vela menor também apaga, já que eventualmente o CO2(g) irá atingi-la (o CO2(g) preenche o copo de cima para baixo).

Afinal, o que realmente acontece?

Como se pôde notar pelo balanceamento da equação de queima da parafina, seria esperado, a priori, um aumento do volume gasoso com a formação de CO2(g) e H2O(v). No entanto, é importante observar que, com o tempo, parte do gás carbônico irá se dissolver na água e outra parte do vapor d’água formado deverá se condensar na parte interna do copo (inclusive, é possível ver gotas d’água na parte interna do copo ao fim do experimento). Assim, aos poucos e depois de algum escape de gás, o volume gasoso interno poderá realmente diminuir com o passar do tempo.

IMPORTANTE:
Com a queima da vela o ar aumenta de temperatura, expande-se e escapa para fora do copo por meio de bolhas, deixando menos ar dentro do copo do que havia inicialmente!

Com o apagar da chama, a temperatura diminui. Lembre-se de que agora há menos moléculas gasosas dentro do copo, exercendo, portanto, menor pressão. Como resultado, com o cessar da chama e o consequente resfriamento, a pressão dentro do copo passa a ser menor do que a (externa) pressão atmosférica que, como resultado, “empurra” a água para dentro do copo – fazendo seu nível subir, conforme observado! – até que as pressões interna e externa se igualem, o que pode ocorrer quando o nível da água sobe a 20% do valor máximo, coincidentemente a mesma porcentagem aproximada de gás oxigênio no ar atmosférico!

Conclusão

Uma pequena alteração no experimento pode, inclusive, mostrar até mesmo que a subida do nível da água não será sempre de 20%. Basta colocar mais duas ou três velas dentro copo e queimá-las simultaneamente. Nesse caso, nota-se que a água sobe mais do que os usuais 20% o que, obviamente, não pode ser explicado alegando-se que a amostra de ar utilizada tem mais do que 20% em volume de O2(g). O que provavelmente ocorre é que como o aquecimento será mais intenso – visto que há mais velas –, mais ar escapará e a pressão interna final será menor do que aquela obtida com apenas uma vela. Esse aumento na diferença entre a pressão interna final e a pressão atmosférica se reflete numa maior subida maior do nível da água!

Colega professor, note o quão enriquecedora pode ser a discussão sobre a hipótese errônea que relaciona a subida da água ao consumo do O2(g). Uma discussão feita de modo estimulante em um ambiente que o aluno se sinta apoiado e confortável para expor suas ideias pode gerar atitudes muito positivas no tocante à postura científica e melhora de conceitos, levando à formação de alunos mais receptivos a novas ideias e mais dispostos a analisar novas evidências o que, sem dúvida, lhes trará inúmeros benefícios em sua formação de cidadania. Observar, discutir, duvidar, concluir, errar, concluir de novo! Muito, muito melhor do que receber uma conclusão pronta… e errada. Pense sobre isso!

Escrito pelos autores Emiliano Chemello Luís Fernando Pereira. Ambos são coautores, juntamente com Alberto Ciscato, da coleção QUÍMICA, da Editora Moderna.

Emiliano Chemello é Licenciado em Química e Mestre em Ciência e Engenharia de Materiais pela UCS. Professor de química no Ensino Médio e cursos Pré-Vestibulares.

Luís Fernando Pereira é químico industrial formado e licenciado pela USP. Leciona no Curso Intergraus desde 1995. É o químico consultor do programa Bem Estar, da Rede Globo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Classic candle experiment – ABC Science Online: http://www.abc.net.au/science/surfingscientist/pdf/lesson_plan10.pdf

VERA, F., RIVERA, R., NÚÑEZ, C. Burning a Candle in a Vessel, a Simple Experiment with a Long History. Sci & Educ, 2011.

TINNESAND, M. ChemDemos Demystified. Chemmatters Magazine, February, 2015. p. 7.

RUDEL, David I. Science myths unmasked – Exposing misconceptions and counterfeits forged by bad science books. Gadflower Press, 2011. http://misconceptions.science-book.net/wp-content/uploads/2011/09/Chap2-1.pdf

BRAATHEN, C. Desfazendo o mito da combustão da vela para medir o teor de oxigênio no ar. QNEsc, n° 12, novembro 2000.