A proposta socioemocional na prática: Colégio Estadual Chico Anysio

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O Colégio Estadual Chico Anysio, no Rio de Janeiro, é um exemplo da implementação da educação integral no Ensino Médio enriquecida pelo desenvolvimento socioemocional. O projeto faz parte da parceria entre a Secretaria de Estado de Educação e o Instituto Ayrton Senna, iniciada em 2013, e prevê que, além das disciplinas obrigatórias, parte da rotina do aluno seja voltada para desenvolver competências como colaboração, curiosidade, persistência e responsabilidade.

Com o objetivo de solucionar questões como a evasão escolar, o desinteresse dos alunos pelos estudos e a dificuldade de conectar o conteúdo com a vida real, o Colégio Estadual Chico Anysio definiu seu projeto pedagógico com base em quatro momentos durante a semana:

ESTUDO ORIENTADO 

Nestas situações, enfatiza-se o aprender a estudar. Um educador orienta os jovens sobre como buscar informações relevantes e como sintetizá-las.

Educação para a vida

Tonia Casarin é mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

PROJETO DE VIDA 

Os professores se reúnem com pequenos grupos de alunos para ouvir angústias acadêmicas ou pessoais e ajudar a traçar metas maiores. O autoconhecimento e a empatia são trabalhados nesse momento, assim como o entendimento da relação com os colegas, a família e a comunidade.

AUTOGESTÃO

Os alunos ficam livres para fazerem o que quiserem, como participar de atividades artística ou corporal, realizar oficinas, estudar para a prova, entre outras. Nessa parte, o planejamento e a tomada de decisão são competências que ficam claras e são trabalhadas de forma intencional com a turma.

PROJETO DE INTERVENÇÃO E PESQUISA

Todos os alunos da escola são misturados para enfatizar a diversidade e exercitar a capacidade de relacionamento pessoal. Os estudantes formam grupos independentes de turma, idade ou série e ao longo do bimestre desenvolvem um projeto relacionado com o cotidiano. Eles se mobilizam em torno de um assunto de interesse comum, propõem ideias para resolver o problema, planejam, executam o trabalho e avaliam o projeto, e depois divulgam os resultados.

desenvolvimento socioemocional
Fachada do C.E. Chico  Anysio no Rio de Janeiro. 
Crédito: Marcia Costa/ Divulgação: SEEDUC RJ

RESULTADOS PRÁTICOS DA PROPOSTA SOCIOEMOCIONAL

A maior liberdade e participação dos alunos já deu frutos para Colégio Estadual Chico Anysio. Por exemplo, foi constatado um desperdício de alimentos na escola. A partir deste diagnóstico, uma banca composta por funcionários, alunos e professores propôs que os próprios alunos se servissem nas refeições, ao invés de receber os pratos prontos. Os estudantes foram incentivados a calcular o impacto financeiro decorrente dos oito quilos de alimentos que, diariamente, iam para o lixo e conseguiram reduzir para um quilo. Iniciativas como essa melhoram a prática escolar, o aprendizado e podem inclusive ser incorporadas no plano político pedagógico da escola.

As iniciativas melhoraram a relação entre alunos e professores e entre os próprios jovens. Os professores começaram a se sentir mais desafiados e entusiasmados com o trabalho e os estudantes passaram a se sentir mais confiantes e interessados pelos estudos. Começaram a gostar da escola e a respeitar seu espaço. Além disso, a escola teve um desempenho médio 50% melhor nas diversas disciplinas da matriz curricular do Ensino Médio, comparado às escolas avaliadas pelo Sistema de Avaliação Bimestral do Processo de Ensino e Aprendizagem (Saerjinho), evidenciando que o desenvolvimento de habilidades socioemocionais melhora a performance cognitiva. Esse exemplo parece ser um caminho promissor que muitas escolas estão buscando para desenvolver as habilidades e competências dos alunos.

Que tal iniciar um projeto parecido em sua escola?

CONHEÇA MAIS

Confira o depoimento da equipe pedagógica da escola sobre o projeto realizado no Colégio Estadual Chico Anysio e como é feito na prática o trabalho com as competências socioemocionais:

Escrito por Tônia Casarin, mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

É errando que se aprende

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No post anterior, falamos sobre a importância de oferecer aos alunos um feedback qualitativo que mostre a diferença entre o desempenho esperado e o real. Hoje, vamos falar sobre como usar os erros (diagnosticados pela avaliação e descritos no feedback) como base para uma nova oportunidade de aprendizagem.

Decidir usar o erro como suporte para o crescimento (como coloca Luckesi, 2002), antes de mais nada, significa quebrar definitivamente um paradigma da sala de aula, que considera o erro como motivo para um castigo, uma nota baixa, algo que sempre prejudica o aluno. Isso porque, quando um professor estabelece seus critérios de avaliação da aprendizagem e suas ações a partir dos resultados, ele não o faz de maneira aleatória. Pelo contrário, ele demonstra sua intencionalidade, suas concepções de educação, escola e sociedade. Assim, ao romper com o esperado e criar maneiras para transformar os erros em oportunidades, o professor demonstra aos seus alunos a importância do desenvolvimento de uma atitude exploratória, que valoriza a busca pelo conhecimento, a curiosidade, a superação de desafios e o pensamento autônomo.

Se a sabedoria popular profere que “é errando que se aprende”, então é nosso papel mostrar aos alunos que eles podem correr riscos, pensar em diferentes formas para resolver um problema, fazer experimentos e, quando nada disso chegar a uma resposta, sempre haverá uma nova hipótese para ser testada e estudada. A nossa proposta, portanto, é encarar o erro de maneira racional, como parte do processo de aprendizagem, e não de maneira emocional, como algo que causa frustração, vergonha e medo.

Aqui seguem algumas dicas de comportamentos em sala de aula que podemos fazer para alterar nossa postura sobre o erro:

Juliana Miranda é gerente de Avaliação da Avalia Educacional e nossa parceira para o tema Avaliação

Apontar os erros cometidos em provas e trabalhos escritos com um grande X vermelho não é mais suficiente. É preciso explicar o que e o motivo pelo qual a resposta dada está imprecisa.

Dê aos alunos a chance de refazer e corrigir provas e trabalhos. Atribua boas notas a esses trabalhos corrigidos, tanto quanto aos alunos que acertaram de primeira.

Nos momentos de feedback, ajude os alunos a perceberem os erros que conseguiram superar e corrigir, deixando evidente como o esforço deles resultou em uma aprendizagem bem-sucedida.

Quando um aluno cometer oralmente um erro, em um momento de discussão conjunta, por exemplo, não diga simplesmente frases como “Você está errado. Quem tem outra ideia?”. Ao invés, peça ao aluno que explique e dê exemplos que demonstrem porque ele pensa de determinado modo, ou proponha o uso da hipótese dele em outro contexto. Isso o fará perceber sozinho que talvez ele precise pensar melhor sobre sua colocação.

Crie mais oportunidades de trabalho em conjunto em que alunos que já dominaram certo conteúdo possam ajudar aqueles que ainda estão em desenvolvimento.

Conte para os seus alunos erros que você mesmo cometeu, especialmente se eles são engraçados, e explique o que você aprendeu com eles.

Como o seu aluno aprende?

Se a escola é um lugar em que todos entram para aprender – todos: alunos, professores, gestores, funcionários e famílias – então é nesse ambiente que o erro precisa ser valorizado, já que é por meio dele que melhorias e aprendizagens podem ser conquistadas.

E vocês? O que vocês aprenderam a partir dos erros que cometeram?

errando que se aprende

Escrito por Juliana Miranda

Bacharel em Ciências Sociais/USP e mestre em Educação/PUC-SP e gerente de Avaliação da Avalia Educacional

Referências bibliográficas:

LUCKESI, Cipriano C. Avaliação da aprendizagem escolar. 13º ed. São Paulo: Cortez, 2002.

MAATS, Hunter. O’BRIEN, Katie. Teaching students to embrace mistakes. Disponível em: http://www.edutopia.org/blog/teaching-students-to-embrace-mistakes-hunter-maats-katie-obrien. Acesso em: 15 jul. 2016.

CONECTANDO CÉREBRO, EMOÇÕES E APRENDIZAGEM

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Precisamos de nossas emoções para pensar, solucionar problemas e ter foco. Estamos neurobiologicamente conectados, e, para aprender alguma coisa, nossa mente deve estar focada e nossas emoções em equilíbrio. Portanto, regular as emoções é necessário para que possamos lembrar, recuperar, transferir e conectar todas as novas informações ao conhecimento que já temos. Quando um fluxo contínuo de emoções negativas toma conta de nossos lobos frontais – área responsável pela elaboração do pensamento – a arquitetura do nosso cérebro muda, deixando-nos em um estado de resposta em que o estresse é aumentado e o medo, raiva, ansiedade, frustração e tristeza assumem o controle.

Porém, nosso cérebro possui uma característica chamada de neuroplasticidade. É a capacidade de se reconectar, fortalecer a ligação entre os neurônios mais utilizados e exercitados, enquanto também tem a capacidade de enfraquecer as ligações que não são muito utilizadas. A reconexão de nossos circuitos cerebrais é dependente de experiência, ou seja, nós podemos mudar as sinapses ou conexões cerebrais que estão acontecendo, ao alterar a nossa percepção ou nosso comportamento.

A neuroplasticidade inclui a reformulação ou a reavaliação de uma experiência, evento ou relacionamento para que possamos observar e experimentar um resultado diferente. O cérebro vê e responde à percepção, e não à realidade. Estados negativos prolongados em nosso cérebro podem se tornar problemas neurais que ficam impressos em nosso circuito cerebral. Portanto, a neuroplasticidade é a melhor notícia da neurociência nos últimos anos.

Educação para a vida

Tonia Casarin é mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

emoções educação

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

Os processos que suportam a inteligência emocional são abordados no campo da Neurobiologia Interpessoal. Essa teoria mostra o potencial de desenvolvimento e transformação da mente humana na mudança de pensamento e processamento de emoções, pensamentos e comportamentos. O estratégia para conceito de inteligência emocional está relacionada também com o desenvolvimento de consciência como assegurar a integração saudável das funções emocionais, psicológicas, fisiológicas e cognitivas.

Todos temos memórias centrais, ou seja, estamos constantemente criando memórias. Mas o que torna essas memórias significativas são as emoções que atribuímos a essas memórias, sejam eventos, experiências ou relacionamentos. Emoções direcionam nossa atenção e percepção. Formamos memórias positivas e negativas centrais por causa da intensidade emocional que temos anexado ao evento ou experiência. É como se as emoções fossem a cola que conecta a memória ao significado que damos a elas. Estas memórias centrais são armazenados no “longo prazo” e, eventualmente, tornam-se uma parte da nossa personalidade.

Portanto, como educador, que tal se perguntar que tipo de memória você está criando em sua sala de aula com seus alunos? Ou, ainda, como criar memórias nos alunos que energizem e incentivem a curiosidade deles e entre eles? Já pensou em começar o dia ou a aula checando as emoções de cada aluno em classe? Que tal pedir para que eles compartilhem como estão se sentindo? Ou ainda, utilize metáforas: “como está o tempo dentro da sua cabeça?”, caso os alunos sejam mais novos.

Entender um pouco sobre como nosso cérebro funciona pode nos ajudar a repensar nossas práticas de sala de aula.

Como dar um feedback aos alunos?

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Já conversamos bastante aqui no Redes Moderna sobre avaliação formativa. E hoje, gostaria de aprofundar um dos aspectos mais importantes desse tipo de verificação: o feedback. Isto é, o retorno que o professor dá ao aluno sobre o seu desempenho, que pode ser verbal, escrito ou até gestual.

Fornecer feedbacks de qualidade para os alunos é a chave para obter melhores resultados, afinal, esse recurso tem o objetivo de ressaltar as diferenças entre o desempenho esperado e o real, de modo a incentivar mudanças no processo de aprendizagem. E quando essas mudanças ocorrem, então a aprendizagem foi significativa – e é isso que todos queremos!

Feedback

Enganam-se aqueles que pensam que o feedback serve apenas para apontar aspectos negativos para os alunos. Esse momento pode muito bem ser utilizado para ressaltar pontos em que o aluno superou uma dificuldade, encontrou um caminho diferente do esperado para resolver uma situação-problema, ou ainda, por mais que os objetivos esperados ainda não tenham sido alcançados, destacar o esforço, a dedicação e a criatividade colocados no processo.

Juliana Miranda é gerente de Avaliação da Avalia Educacional e nossa parceira para o tema Avaliação

Vamos tratar sobre alguns aspectos e técnicas do feedback:

1. FÓRMULA: FEEDBACK = ELOGIO + CORREÇÃO + PLANO DE AÇÃO

Um feedback tem que ser educativo por natureza. Significa, portanto, que os estudantes precisam receber uma explicação sobre o que estão fazendo corretamente e o que precisam melhorar, e, mais do que isso, como ele deve fazer para melhorar. É mais produtivo e motivador quando ao aluno são fornecidas explicações e exemplos sobre o seu trabalho. Por isso, uma modelagem interessante do feedback é estrutura-lo a partir da fórmula “elogio + correção + plano de ação.

2. FAÇA ELOGIOS REALISTAS

O feedback envolve elogios, mas estes são sempre realistas e com exemplos claros. Para isso, mais do que foi coletado pelos diferentes instrumentos de avaliação utilizados, a observação do aluno em sala de aula é essencial. Os comentário e sugestões nesse momento, portanto, devem ser práticos para que o aluno entenda o potencial que tem em si.

3. FEEDBACK DEVE SER DADO RAPIDAMENTE

É importante não demorar muito para dar um feedback. Ao dar uma resposta rápida, os alunos têm chance maior de relacionarem a informação dada com a experiência da atividade que fizeram, e o professor, por sua vez, terá mais chance de adequar seu planejamento de aula sem interromper completamente um outro projeto já iniciado.

4. CONSIDERE AS DIFERENTES FORMAS DE APRENDER DOS ALUNOS

As salas de aula são caracterizadas pela diversidade de alunos que aprendem de diferentes maneiras. Assim, o plano de ação exposto no feedback que conterá o que deverá ser feito para que o aluno avance em seu processo de aprendizagem também deve considerar esses diferentes estilos.

5. REALIZE MOMENTOS DE ATENDIMENTO INDIVIDUAL

Momentos de atendimento individual são úteis principalmente para aqueles alunos que precisam de mais ajuda, pois estabelece uma relação de confiança e as correções de rota podem ser tratadas mais profundamente em uma conversa.

6. PEÇA PARA OS ALUNOS TOMAREM NOTA NOS MOMENTOS DE FEEDBACK

Pedir aos alunos para anotarem o que é tratado em um momento de feedback ajudará com que eles se lembrem dos planos de ação propostos e, além disso, poderão perceber quando alguma questão apontada como incorreta for superada ao longo do tempo.

7. O FEEDBACK PODE SER VERBAL, POR ESCRITO OU GESTUAL

Quem dá um feedback precisa ter muito cuidado com a seleção de suas palavras e gestos. Uma postura muito negativa ou inúmeras críticas vazias de exemplos podem levar a perder todo o processo de avaliação iniciado, pois estabelecerá com os alunos uma relação de combate, não de confiança.

E vocês, como costumam dar o feedback para seus alunos?

Escrito por Juliana Miranda

Bacharel em Ciências Sociais/USP e mestre em Educação/PUC-SP e gerente de Avaliação da Avalia Educacional

Referências bibliográficas:

ZEFERINO, Angélica Maria Bicudo; DOMINGUES, Rosângela Curvo Leite; AMARAL, Eliana. Feedback como estratégia de aprendizado no ensino médico. Rev. bras. educ. med.,  Rio de Janeiro ,  v. 31, n. 2, p. 176-179,  Aug.  2007 .

Vamos começar do começo – identificando as emoções

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Estudos atuais das Neurociências apontam que, para o pleno desenvolvimento da criança, nos diferentes ambientes pelos quais circula, além das competências cognitivas, devem ser trabalhadas também as competências socioemocionais. Já escrevi sobre a importância das socioemocionais aqui e também escrevi a matéria “A Ponte para o Sempre”, na Educatrix. Assim como os adultos, as crianças lidam diariamente com muitas emoções. Sentem raiva, alegria, tristeza, medo e, claro, reagem a essas emoções. Muitas vezes, de forma desajeitada, pois ainda não conseguem ter o autocontrole. Portanto, os gritos, a euforia e as reações extremas são a tangibilização das emoções na forma de comportamento.

Saber identificar as emoções, reconhecê-las, entendê-las e comunicá-las é um passo importante no desenvolvimento das competências socioemocionais. Diria, inclusive, que, além de ser o primeiro passo, é fundamental para o desenvolvimento integral da criança e sua capacidade de se autorregular e se relacionar com os outros e com a sociedade. Como as emoções interferem em suas vidas, as reações a elas não somente a influenciam, mas também influenciam a reação dos outros. Ao identificar as emoções, as crianças conseguem se relacionar com elas mesmas e começam a se entender melhor. Seria, então, a iniciação do autoconhecimento.

O papel dos adultos é fundamental nesse processo de aprendizagem. A alfabetização emocional exige dos pais, professores e adultos que convivem com as crianças o auxílio para que elas possam expressam seus sentimentos. O diálogo é a mais poderosa ferramenta:

OUVIR O ALUNO

ACEITAR SEUS SENTIMENTOS

AJUDÁ-LA A ENTENDER QUE O QUE ESTÁ ACONTECENDO É PARTE DESSE PROCESSO.

Educação para a vida

Tonia Casarin é mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

Por sua vez, na avaliação do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de 2014, que enfatizou a verificação da competência matemática, a nota média dos meninos foi 440, enquanto das meninas, 418.

Para ouvir os alunos, é imprescindível criar espaços de troca e oportunidades durante as interações para que eles expressem suas emoções. Por exemplo, perguntar um momento em que ele sentiu medo e aproveitar para dividir com ele um momento que você também sentiu medo, é fundamental para construir uma relação de confiança e de não julgamento com os alunos. Isso permite não somente um amadurecimento mais efetivo dos alunos, mas também da relação.

Utilizar o exemplo da emoção e perguntar, por exemplo, em um livro que ele leu, o que o personagem principal sentiu, pode ser bem-sucedido caso o aluno resista a falar de suas próprias emoções. Mais fundamental ainda é focar em aspectos positivos das emoções, como o princípio da Psicologia Positiva. Conversar e trocar sentimentos positivos ajuda a construir autoestima e proporciona uma validação do adulto, cuja consequência é a troca mais tranquila e natural sobre as emoções.

Aceitar os sentimentos dos alunos nem sempre é uma tarefa fácil, principalmente quando estão fazendo birra. Porém, aceitar que a birra é uma forma que ele tem de expressar o sentimento é o ponto de partida. Expressar claramente que o aluno deve estar se sentindo frustrado, ou triste, por exemplo, é uma forma de apoiá-lo. Biologicamente, o cérebro da criança não está pronto ainda para controlar suas emoções. Portanto, ela precisa do adulto como guia para mostrar a ela e ensiná-la novas maneiras de se expressar. Oferecer um abraço é a forma mais afetiva de um adulto mostrar à criança que está com ela e a apoia.

Os dois primeiros passos ajudam os alunos a entenderem suas emoções e a comunicá-las de forma assertiva. Os adultos têm papel fundamental na tradução das reações em sentimentos e emoções. Portanto, estruturar o que fez o aluno reagir de determinada forma e o que ele possivelmente sentiu é primordial no desenvolvimento emocional infantil. Encorajar os alunos a comunicar de forma assertiva e eficiente suas emoções é estrutural para desenvolver suas competências emocionais.

Portanto, ao reconhecer as emoções e comunicá-las, os alunos estarão mais prontos para decidir melhores formas de se expressar. Assim, decidir que estratégias vão utilizar para lidar com suas emoções é parte de um processo ao longo de sua vida, cujo exemplo dos adultos ao seu redor é peça-chave.

>> Recomendo o livro “Tenho Monstros na Barriga” para apoiar nesse processo de identificação das emoções, disponível para venda em www.tenhomonstrosnabarriga.com.br

MAPAS CONCEITUAIS: um caminho para um aprendizado eficiente

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Diversas estratégias didáticas auxiliam o professor a exercitar o pensamento dos alunos para que eles compreendam os conteúdos por completo e sejam capazes de elaborar suas próprias conclusões. Uma delas é a construção de mapas conceituais. Essa ferramenta propõe um modo organizado de expressar relações entre fatos, conceitos e princípios da disciplina, de maneira visual e hierarquizada. Assim, o aluno é levado a construir uma rede de significados sobre determinado tema. Os mapas conceituais também podem ser utilizados pelos próprios docentes para otimizar a sua prática pedagógica.

DESENVOLVENDO HABILIDADES PARA O APRENDIZADO E PARA A VIDA

Para os professores, os mapas conceituais ajudam a planejar o ano letivo, a elaborar a melhor sequência didática e a buscar estratégias assertivas para favorecer a construção e a interligação de conceitos numa aprendizagem significativa. Para os alunos, a elaboração dos mapas ajuda a distinguir as informações fundamentais das complementares. Também os auxilia a estabelecer a relação dos conceitos mais abrangentes com outros, deles decorrentes ou a eles subordinados. Conforme o aluno aprende o conteúdo, vai sendo estimulado a identificar os aspectos mais importantes, tornando-se assim protagonista de sua própria aprendizagem.

Espera-se que, com o auxílio do professor, os alunos adquiram gradual desenvoltura na interpretação dos mapas conceituais trabalhados em sala de aula e, posteriormente, fiquem à vontade para elaborar seus próprios mapas. Organizar informações por relevância, coerência, abrangência e especificidade é uma habilidade que os jovens usarão por toda a sua vida pessoal e profissional.

mapas conceituais

PASSO A PASSO PARA CONSTRUIR UM MAPA CONCEITUAL

Os passos descritos a seguir mostram uma das maneiras para elaborar um mapa com os conteúdos conceituais de um texto:

1. LISTE OS CONCEITOS MAIS IMPORTANTES

Após a leitura de um texto, levante as informações essenciais e importantes, sejam elas abrangentes ou específicas. Observe títulos, subtítulos e palavras destacadas em itálico ou negrito, pois frequentemente expressam fatos, conceitos ou princípios.

2. AGRUPE OS CONTEÚDOS CONCEITUAIS RELACIONADOS

Faça uma análise daquilo que você listou e junte os conceitos que estão mais próximos em grupos separados.

3. ORGANIZE OS CONCEITOS DE CADA GRUPO

Determine, dentro de cada série que você separou, a ordem de importância ou abrangência dos conceitos. Depois, escreva cada um deles em um retângulo (ou círculo, ou elipse etc.) e organize-os colocando os mais abrangentes acima e os mais específicos, abaixo.

4. LIGUE OS PONTOS RELACIONADOS

Interligue os retângulos com setas e escreva próximo a elas uma ou mais palavras de ligação que estabeleçam uma relação.

5. APERFEIÇOE SUAS IDEIAS MENTAIS

Analise o mapa para ver em que ele pode ser melhorado: remanejar blocos, estabelecer relações cruzadas, omitir partes menos importantes em prol da clareza, modificar a disposição para facilitar a visualização etc.

Dica: Ao montar um mapa com os alunos, é conveniente escrever os conteúdos conceituais em retângulos de papel, para que possam ser facilmente trocados de lugar.

MAPAS CONCEITUAIS EM LIVROS DIDÁTICOS

ciências naturais canto

A coleção Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano, de Eduardo Canto, traz um trabalho consistente com mapas conceituais para o Ensino Fundamental 2. Todos os capítulos contam com um mapa pronto para que o aluno consulte durante ou ao final do estudo. O objetivo é que esse instrumento funcione como um guia da sua leitura, servindo de apoio para a compreensão global dos conceitos. O docente, por sua vez, poderá saber mais sobre como utilizar esta ferramenta pedagógica no Manual do Professor, além de encontrar mapas conceituais que também o guiarão na aplicação dos conteúdos do livro.

A coleção, aprovada pelo MEC para o PNLD 2017 também se destaca pela apresentação dos conteúdos em espiral, ou seja, retomando os conceitos já trabalhados enquanto insere gradativamente novos elementos da disciplina. As obras podem ser folheadas no nosso site, clicando aqui.

Confira abaixo um exemplo de mapa conceitual presente no livro:

O poder do mindset: pensar diferente

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A pesquisadora da faculdade de Stanford, Carol Dweck, desenvolveu por anos o conceito de mindset, que basicamente significa a mentalidade que você possui em diversas situações da vida. Portanto, para fazer o ponto da sua pesquisa, ela diz que há dois tipos de mentalidade:

  1. Mentalidade de crescimento

  2. Mentalidade fixa

Em uma mentalidade fixa (fixed mindset), as pessoas acreditam que suas qualidades básicas, como sua inteligência ou talento, simplesmente são traços fixos, ou seja, que já nascemos com determinada “quantidade” de talento e inteligência e você não pode fazer muito para mudar isso. As pessoas com a mentalidade fixa tendem a ficar preocupadas em preservar sua autoimagem inteligente, em vez de se desenvolver. Eles também acreditam que o talento por si só é suficiente para ter sucesso, sem a necessidade de se colocar esforço. Para Carol Dweck, essas pessoas estão erradas.

Já em uma mentalidade de crescimento (growth mindset), as pessoas acreditam que suas habilidades mais básicas podem ser desenvolvidas através da dedicação e esforço. Acreditam que a inteligência pode ser desenvolvida e a entendem como um músculo. Ou seja, quando você coloca esforço e desafia-se a si mesmo, você pode ficar mais inteligente, assim como funcionam seus músculos. A inteligência e o talento são apenas pontos de partida. São pessoas que amam aprender e tendem a ter capacidade de resiliência bem desenvolvida, que é essencial para o alcance do sucesso.

Educação para a vida

Tonia Casarin é mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

pensar diferente

O QUE ESTAMOS FAZENDO DENTRO DE SALA DE AULA PARA PROMOVER ESSA MENTALIDADE DE CRESCIMENTO?

Recentemente, tive a chance de ouvir um dos meus alunos me falar que não queria participar das Olimpíadas de Matemática. Aquilo me chamou muita atenção, porque, claramente, ele era o aluno mais provável da classe que poderia ser bem classificado. Depois de uma conversa com ele, repleta de emoções, capturei que o menino não via porque participar daquilo: simplesmente não queria perder a “fama” de mais inteligente da turma, caso fracassasse na sua colocação. Isso me fez lembrar dessa teoria e repensar algumas práticas de sala de aula.

O principal objetivo para os alunos com uma mentalidade fixa é mostrar como eles são espertos e inteligentes, ou para esconder e não arriscar o quão inteligentes eles são. Isso faz sentido se você acha que a inteligência é algo que se tem ou não se tem, e é natural querer parecer inteligente. Portanto, é natural que essas crianças não aceitem desafios, como o meu aluno. Participar desse evento significa colocar em risco toda a inteligência dele para todos os alunos da classe. E ele não estava disposto a qualquer possibilidade de falha ou erro que pudesse arranhar sua reputação. Assim como meu aluno, já ouvi casos de crianças que se destacavam em alguma modalidade esportiva na escola, mas evitavam ao máximo participar de eventos que envolvessem outras escolas. A criança não quer correr o risco de ter algum atleta melhor que ela em outro lugar. E, se tiver, que ninguém fique sabendo.

Quando traçamos uma meta – adultos ou crianças – sempre há um risco de ela não ser alcançada. Muitas vezes, não era o momento certo, mas talvez com mais tempo ou dedicação, aquela meta poderia ser atingida. Esse é o pensamento das pessoas que possuem mentalidade de crescimento. Elas conseguem aprender e crescer com a experiência.

Portanto, estudantes com uma mentalidade fixa tendem a evitar fazer perguntas quando não entendem alguma coisa, porque eles querem preservar a imagem de que são inteligentes. Mas o objetivo principal dos alunos com uma mentalidade de crescimento é aprender. Claro, se você acha que a inteligência é algo que se pode desenvolver, a maneira de desenvolvê-la é aprender novas coisas.

mentalidade fixa

Além disso, alunos com uma mentalidade fixa não gostam de desafios. Acreditam que colocar esforço é para aqueles que não são espertos. Quem realmente é inteligente não precisa se esforçar. Mas os estudantes com uma mentalidade de crescimento, na verdade, gostam de desafios. Se eles já sabiam como fazer alguma coisa, não seria uma oportunidade para aprender, para desenvolver sua inteligência.

Como você deve ter refletido ao longo do texto, todos nós temos os dois tipos de mentalidade, para tarefas variadas. A boa notícia é que, quando aprendemos que nosso cérebro é muito mais maleável do que muitas pessoas pensam, percebemos que podemos desenvolver o growth mindset. Isso também funciona para nossos alunos.

pensar diferente

Em um estudo com alunos do Ensino Médio, os pesquisadores ensinaram a eles uma mentalidade de crescimento por meio de uma aula de neurociência. Aprenderam que o cérebro é feito de pequenas células chamadas neurônios, que estão ligados um ao outro, e quando as ligações são mais fortes, as pessoas podem pensar mais rápido. Isso é o que faz uma pessoa inteligente. Quando as pessoas trabalham duro no trabalho da escola, as conexões em seu cérebro ficam mais fortes, tornando-os mais inteligentes. Comparado a uma condição de controle, esses alunos expostos a esse conteúdo tiveram notas em matemática significativamente mais elevadas do que aqueles que não foram expostos a esse conteúdo.

Que tal contar para seus alunos sobre a maleabilidade do nosso cérebro?

Projeto Presente traz encontro sobre multiletramento

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No último dia 21 de maio, a Editora Moderna realizou um encontro especial entre professores de escolas particulares do estado de São Paulo e os autores do Projeto Presente. Mais de 180 educadores de instituições de ensino da capital e do interior de São Paulo participaram do evento e debateram o multiletramento e o trabalho com a oralidade nas salas de aula da Educação Infantil e de Ensino Fundamental I.

Durante o encontro, os educadores acompanharam a palestra Multiletramento e o trabalho em sala de aula, ministrada por Jacqueline Peixoto Barbosa, mestre e doutora em Línguística Aplicada ao Ensino da Língua pela PUC-SP. Ela apresentou dicas importantes para o trabalho significativo com foto, vídeo e áudio nos primeiros anos escolares.

O encontro contou também com a fala de Maria José Nóbrega, autora dos livros de Língua Portuguesa do Projeto Presente, que apresentou um panorama geral sobre o trabalho com oralidade na sala de aula nos primeiros anos do Ensino Fundamental.

Novo Projeto Presente Educação Infantil

Outra novidade do evento foi o lançamento do Projeto Presente Educação Infantil. Para apresentar a nova coleção, Miruna Kayano, uma das autoras, preparou uma palestra sobre oralidade e a importância deste conceito para a Educação Infantil.

Agradecemos a presença de todos os educadores que enriqueceram este encontro. Confira as fotos:

Evento PRojeto Presente 2016 - São Paulo